O anjo Gibreel

Como a novidade penetra no mundo? Como é que nasce?

De que fusões, transformações, conjunções é feita?

Como sobrevive, extrema e perigosa como é? Que concessões, que acordos, que traições de sua natureza secreta tem ela de fazer para repelir a fúria das multidões, o anjo exterminador, a guilhotina?

Nascer é sempre uma queda?

Anjos têm asas? Homens podem voar?

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Fausto

Nem pude me achar ridícula. Nem pude pensar. Eu fazia um esforço enorme para manter a compostura, isso consumia minha razão. Tudo aquilo era como um remédio, com cura e efeitos não desejados: eu estava tão feliz só por ele estar ali e, ao mesmo tempo, infinitamente infeliz por perceber o quanto a presença dele me fazia feliz. A presença dele, tudo o que eu queria, tudo o que precisava, era tudo o que eu não poderia ter. Mas eu, totalmente desacostumada de sentir coisas boas, só quis me embriagar do momento o máximo possível. Inutilmente eu disse ao momento “pára, enfim! eis tão formoso”. Inutilmente. Literatura não é vida. E a vida, feliz ou infelizmente, continua.

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Da vida

As 200 pessoas conversavam sobre banalidades – o jogo do Brasil, as últimas enchentes… Tratados como tragédias, assuntos que se faziam presentes no mundo no momento em que alguém se fazia ausente. Estava lá, em existência-cadáver. Não ouviu, acredito, o que seus vizinhos, amigos ou nem tanto falaram em seu velório. Mas a cada palavra dava para ouvir quão banal é a própria morte.

Essa semana fui ao velório de uma pessoa que não conheci – pai de um professor da escola. Morreu aos insistentes 90 anos, depois de uma cirurgia que devia ser cura. Há duas semanas, foi minha vizinha que morreu num acidente de carro. Virou número da tragédia da alta velocidade ou qualquer coisa que explique o fato de alguém que estava voltando de uma comemoração de dia dos namorados morrer aos 40 anos, deixando um filho que mal chegou aos 10. Ontem foi a vez de um funcionário da escola. Ele trabalhou durante todo o dia com dificuldade – faltava fôlego para as ladeiras do campus. O coração descansou quando chegou em casa, aos 65 anos, a alguns meses de se aposentar.

* * *

Eu queria acreditar mais facilmente que o fim é só o começo. Queria a fé da minha mãe – nada é mais vida do que uma mãe. A morte me assusta.

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Sem título

Depois de cinco rascunhos e nenhum post eu peço ao ser mitológico que roubou minhas palavras que as traga de volta – eu me recuso a viver sem elas.

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A beleza do que foi

Se eu pudesse escolher dois dias para viver, seriam os que estive em Antuérpia. Hoje agradeço a Deus, com toda a sinceridade que ainda sobrou, por ter colocado tanta beleza no meu caminho e por ter me feito escrever sobre aqueles dois dias. Porque é só lendo que eu olho para mim e acho algo bonito – se não no que sou, ao menos no que senti – no que sinto ainda só em ler tudo aquilo.

https://andreamaciel.wordpress.com/2008/07/15/memorias-viajantes-belgica-parte-1/
https://andreamaciel.wordpress.com/2008/07/16/memorias-viajantes-belgica-parte-2/

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