De passagem

Não há como não comparar essa ida a SP e a minha temporada lusitana. Ok, é por bem menos tempo… Ok, é para bem mais perto… Mas mudanças de rumo, chacoalhadas no caminho, ainda que temporárias (o que não o é?), têm  capacidade de me alegrar.

Não há expectativas, além de todas e nenhuma. Deixo-me fechar os olhos para ver melhor, e, nesses dias, olho para mim, para dentro da alma (se ela existir), para o que eu quero conquistar, o que quero ser, o que preciso fazer, o que preciso apenas olhar.

Em ambos os momentos – em 2007 e agora – eu me abri completamente ao nada e ao tudo, à beleza da incerteza. Quando voltei de Lisboa, tudo o que eu quis por tanto tempo – voltar e ficar com alguém que demonstrou a todo instante que não me queria – pareceu pequeno. E, depois da volta e da constatação, vivi outras tantas experiências: encontrei outra pessoa que me fez muito feliz, revivi o jornalismo na minha trajetória, comecei a trabalhar, fiz, desfiz e refiz amizades e princípios.

O erro, talvez, foi ter achado que pararia por aí. O que me fez pensar que duraria para sempre? Alegria, talvez. Foi tão bom que quis eternidade. A perda do “para sempre” me deixou sem rumo. Mas isso já não é algo que me machuca. Não ter onde ir é poder ir a todos os lugares – diante mão sabendo que, por onde quer que eu ande e por mais que me sinta em casa, vai chegar o momento em que serei estrangeira.

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Sobre Andréa Maciel

Paulista nordestina naturalizada recifense e entendedora do português lusitano. Estuda Comunicação Social - e adora a comunicação justamente por isso, porque é Social. Acredita em um mundo mais bonito. Acredita em todas as belezas.
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2 respostas para De passagem

  1. Luana disse:

    A frase “Não ter onde ir é poder ir a todos os lugares” fechou Deinha! Se cuida viu, garota? Beijão!

  2. Paulo Lima disse:

    Nem sempre consigo ver beleza na incerteza. Às vezes sim, mas em outros momentos mais me parece um monstrengo. Agora, quanto às perspectivas, essas sim, são maravilhosas, e eu me agarro nelas. Olho tanto para o futuro que, não raro, não dou a devida atenção ao presente. Falha. O presente é de todas a maior dádiva.

    Boa sorte em meio às incertezas e perspectivas. Boa sorte em todas as jornadas. Beijo grande.

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