Da vida

As 200 pessoas conversavam sobre banalidades – o jogo do Brasil, as últimas enchentes… Tratados como tragédias, assuntos que se faziam presentes no mundo no momento em que alguém se fazia ausente. Estava lá, em existência-cadáver. Não ouviu, acredito, o que seus vizinhos, amigos ou nem tanto falaram em seu velório. Mas a cada palavra dava para ouvir quão banal é a própria morte.

Essa semana fui ao velório de uma pessoa que não conheci – pai de um professor da escola. Morreu aos insistentes 90 anos, depois de uma cirurgia que devia ser cura. Há duas semanas, foi minha vizinha que morreu num acidente de carro. Virou número da tragédia da alta velocidade ou qualquer coisa que explique o fato de alguém que estava voltando de uma comemoração de dia dos namorados morrer aos 40 anos, deixando um filho que mal chegou aos 10. Ontem foi a vez de um funcionário da escola. Ele trabalhou durante todo o dia com dificuldade – faltava fôlego para as ladeiras do campus. O coração descansou quando chegou em casa, aos 65 anos, a alguns meses de se aposentar.

* * *

Eu queria acreditar mais facilmente que o fim é só o começo. Queria a fé da minha mãe – nada é mais vida do que uma mãe. A morte me assusta.

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Sobre Andréa Maciel

Paulista nordestina naturalizada recifense e entendedora do português lusitano. Estuda Comunicação Social - e adora a comunicação justamente por isso, porque é Social. Acredita em um mundo mais bonito. Acredita em todas as belezas.
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