S. Francisco

Não cuspi no prato. Deixei-o de lado – não o jantar, o acompanhante. Talvez os dois. Talvez nós três. Vi o gerente se aproximar e passar por mim, em direção ao que era a minha mesa. Não voltaria para ela, nem para ele. Não deveria ser tão difícil aceitar um convite para jantar. Mas o assédio constante do garçom me perturba, olhando furtivamente em minha direção, como para apressar minha escolha enquanto finjo ler o menu. Não pior que os olhos do acompanhante, falsos como todas as conversas vazias, como água, falsamente azuis. Me olharam atônitos após o grito. E passei pela porta, em direção à rua, em direção à chuva. Viram ruir meus cabelos, a maquiagem, o vestido de veludo azul e os sapatos de verniz. Ficaram na calçada. Cansei de falsas verdades.

Anúncios

Sobre Andréa Maciel

Paulista nordestina naturalizada recifense e entendedora do português lusitano. Estuda Comunicação Social - e adora a comunicação justamente por isso, porque é Social. Acredita em um mundo mais bonito. Acredita em todas as belezas.
Esse post foi publicado em Divagações e marcado . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s