De como meus enfermeiros salvaram meu fim de semana (parte II)

Desde o começo da infecção urinária, meu sentimento foi de carpe diem, literalmente, por mais estranho que possa parecer. A qualquer momento a dor poderia ir embora, eu ficar bem e não ter mais desculpas para pedir carinho e atenção desesperadamente sem parecer ridícula. Cada minuto poderia ser o último para fazer um drama, resumindo.

Foi pensando assim que, ao sair do ônibus, indo ao hospital, eu liguei para Diogo. A chuva não parava, o que seria ótimo se ele (sim, Diogo) tivesse um guarda-chuva.

Linha: – Diogo [no trabalho], você está com algum guarda-chuva?
Entrelinha: – Diogo, por favor, vem me ver! Cuida de mim! Fica comigo!
Resposta de Diogo: – Estou não. Se abriga em alguma lugar e espera a chuva passar.

Era o fim. Ele não viria. Tentei pensar pelo lado positivo. Ainda há o fim de semana. Sexta, sábado, domingo. Não é possível que em três dias ele não arranje um guarda-chuva ou qualquer desculpa para me dar atenção (ok, talvez  ‘eu  estava’  bem carente).

Sexta-feira. Longas 24 horas em que fiquei em casa com dores insuportavelmente não curadas pelo analgésico receitado pelo médico. Tentei ler. Vi TV. Andei cada um dos enormes 60 metros quadrados da minha residência. Ócio do tipo improdutivo. A dor me impedia até de sentar propriamente. De andar também. A única posição possível era a horizontal –  que minha família não veja esse texto, mas essa é uma posição que só lembra casal de namorados (ainda mais se for em cama de solteiro).

Como ele ainda não tinha se declarado – e as desculpas a la guarda-chuva não funcionaram – peguei o telefone (acho que foi por telefone) e fui direta:

– Você vem me ver?

Ela viria no sábado.  Não pense que essa provável ligação rime com pressão. Era mais: intimação. Desespero já. Eu não queria uma surpresa (talvez ele chegue, venha quando eu menos esperar), mas a certeza da companhia – e a companhia, claro: abraços, beijos, conversas intermináveis essas coisas que não dá para pedir sem parecer piegas.

Não foi piegas. Foi sábado e domingo. Feliz. Doída, mas feliz.Aproveitei cada momento de carinho que a dor me proporcionou (muito íntimos para um blog).

E, como já passou a infecção urinária, agora eu arranjei um pé torcido e uma semana de distância/saudade em João Pessoa.Estou expert em desculpas para pedir presença. Acho que estou amando. Perdi até o medo de ser bossa-nova.

Dentro dos meus braços os abraços hão de ser
Milhões de abraços,
Apertado assim, colado assim, calado assim,
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio
De você viver sem mim

A Diogo, que eu amo,
mas ainda não perdoei porque vai viajar no meu aniversário.

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Sobre Andréa Maciel

Paulista nordestina naturalizada recifense e entendedora do português lusitano. Estuda Comunicação Social - e adora a comunicação justamente por isso, porque é Social. Acredita em um mundo mais bonito. Acredita em todas as belezas.
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2 respostas para De como meus enfermeiros salvaram meu fim de semana (parte II)

  1. déia, tu sabe q eu tb te amo ne? hiihihihihih
    menina, tava lendo os posts antigos do meu blog ai deu vontade de dizer isso p tu! hehehe
    bjo me liga!!

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