Porto e Lisboa

 

As pessoas entram nas nossas vidas das mais estranhas formas.

Há mais de um ano, eu escrevi um email para ele, parabenizando-o por um blog e perguntando se não podíamos nos encontrar. Pode parecer estranho isso, já que não é tão comum esse encontro entre autores e leitores. Mas, nesse caso, o desencontro foi um acidente. Moramos (quase) na mesma cidade. Fazemos Jornalismo na mesma UFPE. Moraríamos (e moramos) em Portugal no mesmíssimo segundo semestre de 2007. Por que nunca o vi? Nem trocamos palavras? Faltava qualquer empurrão do destino, um pisão no pé, um tropeço ou um email, talvez. Dois emails, na verdade.

Escrevi. Podemos nos encontrar? A resposta nunca veio.

Ou melhor, veio bem depois. Já de volta ao Brasil, na primeira oportunidade, fiz questão de me apresentar.

– Vocês que fizeram intercâmbio no Porto, não foi? – pergunta retórica.

(Antes de avançar, preciso lembrar que ele estava acompanhado. Talvez a melhor palavra fosse “comprometido”, mas não quero entrar em detalhes sobre esse assunto).

Falei com eles por uma questão de honra, como se, no íntimo, eu me vingasse pelo email jamais respondido. Não era isso, claro. É que só quem foi a Portugal aguenta as lamúrias do sofrimento lusitano repetido exaustivamente. Sim, o trauma da temporada em Lisboa ainda me era recente. Eles também tiveram seus problemas na terrinha, talvez entendessem meus dramas.

Não entenderam. Porque nem ficaram sabendo – não no plural. A conversa começou no singular, pelo Orkut. Ele, agora só ele (ou ele só), puxou assunto – tocou nas chagas portuguesas. Chagas intermináveis, conversas idem. Fomos de Portugal à Inglaterra, França, Alemanha, Bélgica, até ao Timor Leste. Avançamos para o terreno do MSN, trocamos planos sobre o futuro, vasculhamos nossos blogs

E no momento em que o singular viraria plural, nós nos encontramos. Não era mais necessário nos esbarrarmos: nos procuramos. E nos achamos cheios de poesia, vontades – e também de sono, não é? Completo, como tinha que ser. Acho que até acredito em destino  – perdoem-me a credulidade: respiro ares de romance!

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Sobre Andréa Maciel

Paulista nordestina naturalizada recifense e entendedora do português lusitano. Estuda Comunicação Social - e adora a comunicação justamente por isso, porque é Social. Acredita em um mundo mais bonito. Acredita em todas as belezas.
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