Na palma da mão

O moço pegou a mãe dela de um jeito estranho. Naquele momento, não era companheirismo, ou não parecia ser. Era curiosidade. O interesse dele não era pelo toque, mas pela palma, pelas linhas que escondem os desrumos de uma vida. E ela achou incrível que ele pudesse ler tanto, que ele lesse Joyce, Victor Hugo e mãos, uma literatura impossível em um idioma que ela não conhece.

Ele leu uma infância conturbada. Viu uma felicidade tênue e indefinida. Disse também que, no amor, ela também não vai ser feliz. E ela, que não acredita em nada, acreditou nele.

Saiu do carro, entrou em casa. Na cozinha, pegou uma faca e mudou o futuro: cortou a própria mão. Não, ela não amputou sua vida, mas criou na pele novos caminhos. Faca, carne, sangue. Ela fundou e afundou outra palma de mão direita. Só porque não acredita em destino.

(Informamos que Andréa não se cortou para fazer esse texto)

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Sobre Andréa Maciel

Paulista nordestina naturalizada recifense e entendedora do português lusitano. Estuda Comunicação Social - e adora a comunicação justamente por isso, porque é Social. Acredita em um mundo mais bonito. Acredita em todas as belezas.
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Uma resposta para Na palma da mão

  1. Leilane Cruz disse:

    deinhaaaa
    já te disse que tu és inspiradora???
    meninaaa que babado bom que tu tens aqui.
    =*

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