Isso não é Andréa

Ele se chama René Magritte e, junto com John Lennon, é um dos meus amores impossíveis e não-correspondidos (evito usar o terma “platônico”; Platão não tem nada a ver com isso). Conheço pouco ou nada da sua vida, mas ele, surrealmente, conhece tudo da minha. Não me perguntem como foi isso, mas ele soube quando namorei escondido, quando quis fugir pela porta fechada e quando me escondi por trás de uma maçã verde. Há pedacinhos de Magritte em museus de todo o mundo. E, acreditem, Lisboa faz parte do mundo.

(Coisas de burguês que não tem como gastar tanto dinheiro) Um tal Berardo, da ilha da Madeira, resolveu enriquecer um espaço cultural lisboeta… Tirou do seu cofre, como quem nada quer, Picasso, Miró, Dali, Pollock, Warhol… São nomes pra mim. Me perdoem: eles até me causam uma comoção provinciana – sei que eles nunca passarão por Recife, então, tento guardá-los o máximo possível na minha memória. Fico minutos a observar, como se fossem o rosto de alguém querido. Eu adoro contemplar rostos adormecidos, e, pela simples certeza de não ser observada em troca, consigo me ater a todos os traços. Os quadros são como rostos adormecidos.

Enfim… Breton, Duchamp, Mondrian, Lichtenstein até me causam comoção de rostos adormecidos, mas eu gelei mesmo foi ao ver (meu) Magritte. Era algo impossível de acontecer. M as flores, realmente, nascem do (impossível) chão. E pessoas de terno e chapéus pretos caem do céu.

Fiquei embasbacada, emocionada, como quando se recebe cartas de pessoas queridas. E quase choro. As lágrimas (ok, sei que é patético e hollywoodiano) encheram os olhos. Mas eu não quis que nada desfocasse aquela imagem. E parei. Porque ele está na minha frente. Anos atrás, ele pintou aquele quadro, que era nada… Pintou pra mim. Quem puder, me prove o contrário. E é mesmo assim: encontrei, em Lisboa, O Abismo Prateado. Nenhum encontro seria mais verdadeiro. Nenhum seria mais surreal, diria ele.


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Sobre Andréa Maciel

Paulista nordestina naturalizada recifense e entendedora do português lusitano. Estuda Comunicação Social - e adora a comunicação justamente por isso, porque é Social. Acredita em um mundo mais bonito. Acredita em todas as belezas.
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4 respostas para Isso não é Andréa

  1. Diogo disse:

    É bom, né, quando bons artistas conseguem emergir na gente uma sensação ou um sentimento? Quando fui a Madrid, gostei mto dessa obra complexa desse artista q nunca tinha ouvido falar: http://www.museoreinasofia.es/museoreinasofia/live/coleccion/obras/mundo.html

    E uma coisa vc vai ter q concordar comigo. Acho que esse museu em Libsoa tinha menos pessoas q o Louvre ou a National Gallery. O q eh uma coisa boa, já q dá pra olhar as obras sem ninguém tá incomodando ou tirando foto (vide Japoneses). Dá pra vc estabelecer uma comunicação maior, eh ou não eh? Huhauhuah

    Bjs pra tu!!!

  2. Andréa disse:

    É verdade: Lisboa é bem calma! Mas sabe q eu gostei de observar os turistas tb? Principalmente pq eu nunca tinha visto tanto turista junto! É engraçado como certos lugares são tomados por gente de todo lugar, loucamente se preocupando em tirar 200 fotos por minuto! E eu estava lá, no meio deles – ou tentando sobreviver a eles! Rsrsrsrsrsrsrs!

  3. Diogo disse:

    Nem apareceu o link para o quadro que falei. Vamos ver se agora vai. É esse aqui:

    http://www.museoreinasofia.es/museoreinasofia/live/coleccion/obras/mundo.html

  4. Andréa disse:

    oxe, eu colei o link no espaço pra endereço e vi ^^ mas, ok, estou vendo outra vez… =)

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