Reescrevendo a história

Liguei uma… duas… vinte… cinqüenta vezes… E entre “tu-tus” de ocupado e “tutus” de chama-chama-e-ninguém-atende, eu terei que aguardar por longos três dias até saber se meu visto foi aprovado. É por isso que até hoje o Brasil comemora a independência de Portugal. Viva o 7 de setembro!

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Minha última semana em Recife. Dia 16 viajo pra Lisboa, com uma pequena-grande escala em Milão. Confesso que estou numa ânsia de morrer (talvez seja de viver).

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Se há um ano uma cartomante me falasse da montanha-russa que seria minha vida dali pra frente, eu não acreditaria. Vá lá: não acredito em cartomantes, quiromantes, informantes, anti-oxidantes…

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Retrospectiva introspectiva

Tive um namoro relâmpago que, quando acabou, se tornou relâmpagos e trovões; em seguida, comecei um romance igualmente relâmpago com o mesmo ex; entrei no projeto de Coque, que cresceu tanto que hoje é um programa com várias atividades integradas; fiz um trabalho de Iniciação Científica com um orientador picareta e comecei um outro PIBIC, com uma orientadora de verdade; tive minha primeira experiência profissional, como estagiária do Centro Nordestino de Medicina Popular; comecei a estudar o francês, que não é tão gostoso quanto dizem; fui ao Rio de Janeiro para a melhor viagem da minha vida…

Olhando assim, parece que foi tudo até tranqüilo: talvez fosse, se as tragédias amorosas não influenciassem tanto meu cotidiano. E também se eu não fosse alvo prioritário de todo assaltante de meia tigela que se achasse dono do meu celular.

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No auge da minha tristeza, com muitos quilos a menos, depois de uma das enésimas brigas via e-mail com o ex, eu decidi me increver num programa de bolsas para intercâmbio. Precisava ir para longe de Recife, pra longe de tudo e, principalmente, pra longe dele.

Abro aqui um parênteses pra poder explicar melhor. Não consigo me “desprender” das pessoas com facilidade, e com o Outro, tudo fica mais difícil, porque ele é também meu confidente e amigo… O contato com ele era estranhamente bom e doloroso, mas eu gostava tanto dele (ainda gosto) que me via novamente tentando estar perto. E estar com ele é andar num pântano com os olhos vendados. Somos tão inconstantes, eu, ele, esse sentimento sem nome, essa minha tentativa de reviver um cotidiano em comum.

Eu não conseguia me afastar: ele estava ali, à distância de um telefonema meu e um ônibus. Mas, como dizia, entrei no programa de intercâmbio. Enquanto estava em uma das aulas de francês, Allane, minha amiga da faculdade, ligou, dizendo que eu tinha conseguido a bolsa. Fiquei tão feliz que na hora, meio que sem querer, desejei morrer. Eu preferia isso a sentir, novamente, o inverso da alegria.

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Deus não atendeu meu pedido então despejo aqui um muito da minha dor passada tão presente. Sei que não busquei esse intercâmbio pelo melhor dos motivos: foi uma (des) razão covarde. Hoje encaro um pouco melhor meus sentimentos – e já não penso que o melhor seja me afastar. Encontrei uma nova-velha forma de achar bonito gostar do Outro, através de um olhar que não acredita mais em promessas, que queria ter esperanças mas as abandona para evitar a dor de não se realizarem. (Evita frustrações… Talvez não ter expectativas seja uma frustração…) Mas eu não sei até que ponto essa minha recente calmaria tem a ver também com a certeza de que estarei longe… Talvez eu esteja como um paciente terminal, que se reconcilia com o mundo pra morrer em paz.

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Vou deixar esse blog parado por um tempo. Resolvendo cousas (Não resisti! Isso é o mais perto que chego de fazer poesia!), cousas da viagem. Mas, se surgirem novidades, deixo aqui mensagens telegráficas. Desde já, convido-os para a minha despedida (data hora a confirmar – tantas incertezas…).

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Sobre Andréa Maciel

Paulista nordestina naturalizada recifense e entendedora do português lusitano. Estuda Comunicação Social - e adora a comunicação justamente por isso, porque é Social. Acredita em um mundo mais bonito. Acredita em todas as belezas.
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