A face jovem da Depressão

Doença atinge, cada vez mais, crianças e adolescentes

“Você sabe que o que sente de horrível vai continuar no próximo instante e no próximo e no próximo… A sensação não é de que você vai enlouquecer: é de que você está louco! Passam um milhão de coisas na cabeça. Não são só lembranças do passado: é um total desespero. Você desistiu do futuro. Dói respirar. Como alguém pode explicar isso? OK, eu tenho a explicação racional, química, dos neurotransmissores. Mas isso não adianta”.

Mário, 27 anos, desde a infância apresenta sintomas de depressão. Na escola, escondia-se no banheiro para chorar e tinha febres de origem emocional. Durante a adolescência, estava sempre sozinho. Hoje, depois de dois psicólogos, dois psiquiatras e cinco antidepressivos, ele desabafa: “Eu não quero me matar, simplesmente. Eu quero não existir. Cheguei a tomar 32g de calmante. A dosagem indicada é de 0,5g. Era pra eu não acordar mais”.

Mário, infelizmente, não é uma exceção. A depressão, antes uma doença dita de meia idade, é cada vez mais detectada entre jovens e crianças. Pesquisas na área divergem quanto à razão desse aumento. Algumas apontam para as situações de estresse a que meninos e meninas são submetidos desde cedo. Separação dos pais, falta de atenção e pressão por boas notas, mesmo não sendo causas da enfermidade, servem como gatilhos para que ela se manifeste. Outros terapeutas destacam a melhor identificação da doença nas diferentes faixas etárias. “Antes, a criança precisava chorar muito e estar isolada para ser considerada deprimida. Hoje a depressão é diagnosticada quando ela apresenta alterações em seu desenvolvimento”, afirma, a psicóloga Adriana Duarte em artigo publicado em seu site.

Diagnóstico – Mesmo com os avanços, identificar a depressão ainda é um desafio. A doença se manifesta de formas muito variadas e de acordo com a personalidade da pessoa. Em crianças, os indícios podem ser desde agressividade até desânimo. Na adolescência, a situação é ainda mais complexa, já que, nesse período, variações de humor e crises emocionais são tidas como “naturais”, próprias da transição entre infância e vida adulta.

A generalidade dos sintomas, muitas vezes semelhantes ao de uma tristeza temporal, pode gerar conclusões precipitadas. Christiane Chaves, psicóloga clínica e, atualmente, professora da UFPE, alerta: “Muitas vezes, as pessoas já chegam com diagnósticos prontos. A primeira etapa é desconstruí-los”. Ela lembra, também, a importância de se observar as experiências pessoais de cada um antes de qualquer conclusão. “O sujeito é uma construção. O psicólogo o observa em diversas dimensões, como ele se constitui enquanto tal”. É sempre necessário o diagnóstico de um especialista, psicólogo ou psiquiatra.

É importante, porém, que pais e professores estejam alerta a alguns sinais básicos de depressão em qualquer faixa etária: baixa auto-estima, apatia e diminuição no universo dos prazeres e interesses pessoais. Em estágios mais avançados, o mundo do deprimido passa a girar em torno de sua própria dor: nada o motiva e a até a vida não interessa mais. Muitas vezes, ao invés desses sintomas psicológicos ou junto com eles, podem ser detectados sinais físicos, como dores vagas e imprecisas, tonturas, cólicas e falta de ar.

Enfermidade – De origem biológica e psicossocial, a depressão afeta o organismo como um todo, tanto em aspectos físicos quanto de humor, alterando as forma como o indivíduo vê o mundo e sua capacidade de sentir prazer. É uma doença séria e não deve ser confundida com “pessimismo” ou “tristeza passageira”. A falta de “pensamentos positivos” não é a causa da enfermidade, mas um de seus efeitos.

Em nosso cérebro, há substâncias químicas, os neurotransmissores, que comunicam as emoções aos neurônios. Pessoas com depressão possuem alterações na quantidade dessas substâncias ou no número de neuroreceptores, estruturas das celulas nervosas que “lêem” as mensagens enviadas. Situações de estresse podem ser desencadeadoras da doença.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Depressão é uma das doenças que mais incapacita o ser humano e afeta, em todo o mundo, cerca de 121 milhões de pessoas. Desses, menos de 25% recebe cuidados adequados. Ainda para a OMS, uma das principais barreiras no sucesso do tratamento é o estigma social dos transtornos psíquicos.

Para proteger o entrevistado, optamos por utilizar um nome fictício.

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Sobre Andréa Maciel

Paulista nordestina naturalizada recifense e entendedora do português lusitano. Estuda Comunicação Social - e adora a comunicação justamente por isso, porque é Social. Acredita em um mundo mais bonito. Acredita em todas as belezas.
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3 respostas para A face jovem da Depressão

  1. asadebaratatorta disse:

    é, eu acho que entendo um pouco desse assunto…

    bem, o texto, é que eu tirei do orkut. só isso ;D

    e eu fiquei jogano dominó no DA. Pareceu mais interessante… =[]

    ;D a gente se vê amanhã ;*

  2. izabel disse:

    Se Isaltina nao te der dez, eu sou. =D

    🙂

  3. izabel disse:

    (eu dou…)
    err… meio disléxica hoje, escrevendo tudo errado

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