Não há como não comparar essa ida a SP e a minha temporada lusitana. Ok, é por bem menos tempo… Ok, é para bem mais perto… Mas mudanças de rumo, chacoalhadas no caminho, ainda que temporárias (o que não o é?), têm capacidade de me alegrar.
Não há expectativas, além de todas e nenhuma. Deixo-me fechar os olhos para ver melhor, e, nesses dias, olho para mim, para dentro da alma (se ela existir), para o que eu quero conquistar, o que quero ser, o que preciso fazer, o que preciso apenas olhar.
Em ambos os momentos – em 2007 e agora – eu me abri completamente ao nada e ao tudo, à beleza da incerteza. Quando voltei de Lisboa, tudo o que eu quis por tanto tempo – voltar e ficar com alguém que demonstrou a todo instante que não me queria – pareceu pequeno. E, depois da volta e da constatação, vivi outras tantas experiências: encontrei outra pessoa que me fez muito feliz, revivi o jornalismo na minha trajetória, comecei a trabalhar, fiz, desfiz e refiz amizades e princípios.
O erro, talvez, foi ter achado que pararia por aí. O que me fez pensar que duraria para sempre? Alegria, talvez. Foi tão bom que quis eternidade. A perda do “para sempre” me deixou sem rumo. Mas isso já não é algo que me machuca. Não ter onde ir é poder ir a todos os lugares – diante mão sabendo que, por onde quer que eu ande e por mais que me sinta em casa, vai chegar o momento em que serei estrangeira.

A frase “Não ter onde ir é poder ir a todos os lugares” fechou Deinha! Se cuida viu, garota? Beijão!
Nem sempre consigo ver beleza na incerteza. Às vezes sim, mas em outros momentos mais me parece um monstrengo. Agora, quanto às perspectivas, essas sim, são maravilhosas, e eu me agarro nelas. Olho tanto para o futuro que, não raro, não dou a devida atenção ao presente. Falha. O presente é de todas a maior dádiva.
Boa sorte em meio às incertezas e perspectivas. Boa sorte em todas as jornadas. Beijo grande.