Publicado por: Andréa Maciel | segunda-feira, 16 março 2009

De como meus enfermeiros salvaram meu fim de semana (parte II)

Desde o começo da infecção urinária, meu sentimento foi de carpe diem, literalmente, por mais estranho que possa parecer. A qualquer momento a dor poderia ir embora, eu ficar bem e não ter mais desculpas para pedir carinho e atenção desesperadamente sem parecer ridícula. Cada minuto poderia ser o último para fazer um drama, resumindo.

Foi pensando assim que, ao sair do ônibus, indo ao hospital, eu liguei para Diogo. A chuva não parava, o que seria ótimo se ele (sim, Diogo) tivesse um guarda-chuva.

Linha: – Diogo [no trabalho], você está com algum guarda-chuva?
Entrelinha: – Diogo, por favor, vem me ver! Cuida de mim! Fica comigo!
Resposta de Diogo: – Estou não. Se abriga em alguma lugar e espera a chuva passar.

Era o fim. Ele não viria. Tentei pensar pelo lado positivo. Ainda há o fim de semana. Sexta, sábado, domingo. Não é possível que em três dias ele não arranje um guarda-chuva ou qualquer desculpa para me dar atenção (ok, talvez  ‘eu  estava’  bem carente).

Sexta-feira. Longas 24 horas em que fiquei em casa com dores insuportavelmente não curadas pelo analgésico receitado pelo médico. Tentei ler. Vi TV. Andei cada um dos enormes 60 metros quadrados da minha residência. Ócio do tipo improdutivo. A dor me impedia até de sentar propriamente. De andar também. A única posição possível era a horizontal -  que minha família não veja esse texto, mas essa é uma posição que só lembra casal de namorados (ainda mais se for em cama de solteiro).

Como ele ainda não tinha se declarado – e as desculpas a la guarda-chuva não funcionaram – peguei o telefone (acho que foi por telefone) e fui direta:

- Você vem me ver?

Ela viria no sábado.  Não pense que essa provável ligação rime com pressão. Era mais: intimação. Desespero já. Eu não queria uma surpresa (talvez ele chegue, venha quando eu menos esperar), mas a certeza da companhia – e a companhia, claro: abraços, beijos, conversas intermináveis essas coisas que não dá para pedir sem parecer piegas.

Não foi piegas. Foi sábado e domingo. Feliz. Doída, mas feliz.Aproveitei cada momento de carinho que a dor me proporcionou (muito íntimos para um blog).

E, como já passou a infecção urinária, agora eu arranjei um pé torcido e uma semana de distância/saudade em João Pessoa.Estou expert em desculpas para pedir presença. Acho que estou amando. Perdi até o medo de ser bossa-nova.

Dentro dos meus braços os abraços hão de ser
Milhões de abraços,
Apertado assim, colado assim, calado assim,
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio
De você viver sem mim

A Diogo, que eu amo,
mas ainda não perdoei porque vai viajar no meu aniversário.

Publicado por: Andréa Maciel | domingo, 1 fevereiro 2009

De como meus enfermeiros salvaram o fim de semana (parte I)

Quando a rotina quase mata, qualquer um reza por folga – de preferência, longa (meu Deus, por favor! Que esse fim de semana  seja bem longo!, penso eu, entre uma morte e uma agenda cultural para fazer).

Deus atendeu às minhas preces, mas, como em comédias pastelão, eu não fiz o pedido direito. Eis que, na quinta-feira, quando me acordo, a dor nas costas que se arrastava por dois dias incomoda um pouco mais. Para ser mais exata, o “pouco mais” me impedia de andar direito, levantar a perna direita e soltar o ar dos pulmões sem sentir A Dor.

Como qualquer pessoa que não quer morrer aos 22 anos, eu fui ao hospital, mas não antes de seis horas de trabalho – como qualquer pessoa que odeia a rotina mas tem algum senso de responsabilidade. Após seis horas no “Morre” do Peludo, desço a pé o Everest do telejornalismo e pego o ônibus que me levaria à Avenida Agamenon. Meu destino era o Hospital São Marcos. Eu já disse que estava chovendo?

Sem guarda-chuva, doída e doida para tomar um analgésico, saio do ônibus e espero a tempestade passar de baixo de um guarda-sol que, como qualquer guarada-sol, é meio inútil na chuva – principalmente quando você está competindo na proteção com um tabuleiro de guloseimas (vocês sabem que quem pode se molhar sou eu, porque as doces é que são feitos de acúcar).

Depois de ficar com a calça jeans molhada até o joelho e levar “alguns” pingos também nas costas e cabeça, São Pedro se lembra de fechar a torneira e eu caminho até o hospital – se fosse público, não teria ar-condicionado em todos os ambientes e, talvez, eu até sofresse menos frio.

A espera foi tão grande quanto no SUS. Quando cheguei, o sol ia embora (em Recife, umas 5h30, acho). Quando EU fui embora, eram mais de 10h. Durante essas horas incansáveis, meu pai foi minha companhia e meu primeiro enfermeiro. Antes de qualquer triagem médica, o senhor Amauri de Carvalho Aquino estava lá.

Ele chegou pouco depois de mim e logo me socorreu com o blazer que é três vezes maior do que eu. Meu pai, que não é tão grande, pegou a roupa emprestada pensando em me aquecer. Como se não bastasse, ele tirou meus sapatos e esquentou meu pés com as próprias mãos – eu, sentada na poltrona, ele, de cócoras na minha frente.

A sala com a poltrona, a enfermaria, foi onde fiquei incontáveis horas tomando soro e esperando o resultado dos exames de sangue e urina. A cena não era bonita por um lado. Pense em alguém (eu) com cabelos desgrenhados pela chuva, calças arregaçadas até metade da canela, vestindo um blazer gigante a la Didi Mocó, uma braço estendido recebendo soro e o outro flexionado, esperando estancar outra picada de agulha. Mas, o melhor da cena era meu pai, de joelhos, tentando secar meus pés com papel de enxugar mãos, segurando um pé de cada vez por alguns segundo para meu sangue voltar à ponta dos dedos.

Horas depois, já com menos frio e bem mais cansada, ouço a voz de um médico que não tinha visto até o momento dizendo “Andréa Maciel Aquino? Confirmado o diagnóstico de infecção urinária. Podem tirar o soro. Depois vá para o consultório 1″. Lá, ele me falou de sintomas que eu não tinha, que eles deviam passar logo e eu, me sentindo quase curada, aceitei dores que não eram minhas só para sair logo daquele local.

Meu pai também estava lá. Além de enfermeiro e companhia, foi motorista de ambulância. A doentinha manca e dolorida foi para casa. No outro dia, eu não iria trabalhar. A folga nesse caso, claro, não foi um alívio. O remédio seria. Paramos em Boa Viagem, em uma farmácia qualquer, e levamos a cura em doses para ingerir de 12 em 12 horas por cinco dias.

Assim começou meu fim de semana dedescanso completo. Mas se vocês perceberam, eu só falei de um enfermeiro. Nos próximos dias, me dedico aos outros (A ordem é cronológica, ok? Mas todos são amores da minha vida).

A meu pai, Amauri.

Publicado por: Andréa Maciel | quinta-feira, 15 janeiro 2009

Sumiço

Toda vez que minha vida dá alguma reviravolta impressionante o primeiro sintoma é a minha mudez nesse espaço. É como se eu precisasse me acostumar com a vida antes de escrevê-la. Para quem não lembra, eu só escrevi meu primeiro post português mais de um mês depois de ter cruzado o Atlântico.Mas não vem ao caso. Meu atual ex-silêncio é por algo que me levou ainda mais longe do que a primeira viagem.

O primeiro paradoxo é que, apesar da imobilidade bloguística, eu nunca escrevi tanto na internet. Todo dia, por seis horas, eu faço um texto a cada 15 minutos. Desculpem, todo dia não: de segunda a sexta-feira. Nos sábados e domingos (em que estou de plantão, Diogo acaba de me lembrar), o deadline é mais folgado: um texto a cada meia-hora. Essa é a rotina do meu estágio no Pe 360 graus.

A rotina tem outras peculiaridades. Eu me acostumei a subir o Morro do Peludo à pé, bem devagar: dá pra ver o mar de Olinda através dos prédios altos (e, de longe, a água até parece limpa). Se eu estiver cansada de andar, posso usar o crachá e esperar uma carona. Acredite, é intenso o fluxo de todos os tipo de carro no caminho da Globo. Eu já peguei carona em van, em carro que faz aquele “ao vivo” dos telejornais, em taxi de entrevistado…

Na hora do almoço, eu esquento a marmitinha preparada pela mãe e fico perto de uma palmeira – todas as árvores de lá têm plaquinhas; são quase como os funcionários, sempre com crachá. Do lado da palmeira tem uma árvore que tem três espécies diferentes de formiga e eu as conheci porque todas já caíram em cima de mim alguma vez.

Se eu for pela manhã, me pegam em casa. Se voltar à noite, me deixam em casa. Se sair à tarde, me levam até o centro da cidade. Além disso, também recebo vale-transporte. Não é por falta de opção que você deixa de se locomover às custas do clã Marinho.

Mas, enfim, para quem estava tão muda, eu até já falei demais. Deixo as outras observações para ouro momento. Por enquanto, eu só peço: leiam o Pe 360 Graus e pensem em mim! Talvez eu esteja por trás do texto. Aguardem os próximos capítulos…

Publicado por: Andréa Maciel | segunda-feira, 8 dezembro 2008

Twitter

Pessoas, fiz um Twitter, a cereja no bolo no meu ano geek.  Influência de Leilane, digo logo! =D

http://twitter.com/andreamaciel

Publicado por: Andréa Maciel | domingo, 7 dezembro 2008

Getting high

O Natal é uma droga, literalmente. Tudo está horrivelmente previsível: o seu ônibus vem lotado, seu salário não dá para nada, mais uma crise ameaça o mundo. Aí, de repente, chega dezembro e Recife cai em um surto psicodélico coletivo. Vemos gnomos, duendes e luzes coloridas. Mesmo com 30 graus à sombra, há neve nos telhados.  Surgem renas luminosas, estrelas caem dos prédios, há anjos pendurados nas árvores! E eu, entrando no surto, acho que as setas dos carros na Agamenon, em estado de congestionamento, são um grande pisca-pisca. 

Acho que estou inalando muita fumaça de escapamento.

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